Secção Técnica Temática de trabalhos da A.R.L.A.

Artigos de natureza técnica ou histórica

Antenas Direccionais para Recepção

Antena Bandeira

[  Carlos Gonçalves  - Setembro de 2003 ]

Neste artigo vamos conhecer uma antena que embora menor do que a antena "U" invertido do artigo anterior também  pode perfeitamente ser usada para emissão, nomeadamente na faixa dos 160 metros, apesar de apresentar perdas na ordem dos 35 dB em comparação com uma antena cortada à frequência do tipo dipolo.

Esta publicação segue na tradição da viragem empreendida no trabalho da secção técnica temática dedicada à radioescuta pois trata-se do segundo artigo de características técnicas fundamentalmente vocacionado para esta importante modalidade do radioamadorismo.

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Na sequência do último artigo, enumerei determinadas antenas especialmente úteis pela possibilidade de se ajustarem, por diferentes meios,  ao azimute do sinal recebido, possibilitando, dessa forma, a diminuição ou mesmo a anulação de sinais interferentes.

Tendo também em mente a banda dos 160 m - e apesar de, tal como a antena Galhardete,  apresentar uma perda de uns 35 dB em sinal, comparativamente com a antena adequada para a transmissão nessa mesma banda - mas sendo capaz de trabalhar em QRG's bem inferiores, a antena Bandeira pode ser montada num rotor, desde que a leveza dos materiais utilizados o permita, visto as dimensões serem susceptíveis de “assustar”...

Nenhuma destas antenas é coisa nova!  Sob outras designações, v.g. de cariz militar ou comercial, elas existem há décadas.  As suas propriedades como “antenas de quadro alongadas”, comuns à já mencionada K9AY, foram aproveitadas em sistemas de defesa, onde não uma, mas muitas antenas eram colocadas em fase. 

Todas estas antenas de quadro com terminação por resistência (variável ou fixa) não têm um comportamento igual ao das antenas de quadro simples, normalmente de interior e ligadas a um sistema de sintonia por condensador.  Estes quadros com TRV são... meras antenas verticais com a fase controlada pelo elemento horizontal.  Uma antena de quadro alongada com TRV trabalha como um simples conjunto de 2 antenas de verticais interligadas.

Há estações oficiais de recepção e medida equipadas com múltiplas antenas verticais susceptíveis, pois, de oferecer azimutes variados.

O funcionamento destas antenas Bandeira realça-se quando a velocidade de propagação dos sinais ao longo dos elementos horizontais coincide com a velocidade de propagação da onda no espaço em torno da antena, e quando o plano de terra (natural ou artificial) é bom.    Assim, ao suprimirem radiação polarizada horizontalmente em ângulo elevado e manterem a velocidade propagação perto do valor 1, estas antenas – bem como outras da mesma família, e.g. a “U” invertido – beneficiam grandemente de uma boa terra... ao contrário das formidáveis antenas Beverage... formidáveis no desempenho e nas dimensões !

Na América do Norte, o grupo de discussão Top Band Reflector dedica-se especialmente a esta, apelidada de Flag, e outras do género, dada a importância da onda não reflectida na banda dos 160 m, donde o interesse no aproveitamento deste material para a faixa 530-1700 kHz, para citar apenas a que melhor beneficia com tais experiências. 

O autor não pode, contudo, relativamente a este tipo de antena, proporcionar quaisquer relatos de experiências pessoais, por ainda não a ter utilizado (se bem que todo o material já esteja de parte!)... quiçá por comodismo, ou por já ter experimentado a antena Galhardete (Pennant) e utilizar regularmente uma “U” invertido (Ewe) e duas K9AY, protelando assim mais esta experiência.

Seguindo informação disponibilizada pelo rádio-amador Larry Molitor, W7IUV, cuja esplêndida página na internet¹ se recomenda, a  Bandeira consta de um rectângulo de 4,27 x 8,84 m, sendo a meio dos elementos verticais (4,27 m) que se insere o transformador de impedância (v. fig.) e a terminação resistiva (de uns 940 Ω) (v. fig.), que poderá ser uma “TRV”, como mencionado no artigo da “U” invertido, pois, sendo este um valor médio obtido mediante experiências, é bem possível que outro utilizador obtenha melhores resultados com um valor ligeiramente distinto, logo, o ideal, é um ajuste à distância, embora isto quase inviabilize a opção por potenciómetro no local... mas não impossível.  Para além disso, mediante uma TRV, optimiza-se a antena para a banda dos 530-1700 kHz, se for esta a privilegiar. Como outros tipos análogos, trata-se de uma antena que só beneficia da utilização de um pré-amplificador de sinal. 

...ou seja, a antena “vê” no sentido da seta, logo, o elemento vertical com a resistência intercalada actua como reflector 

Utilizando materiais leves, mas resistentes, para a estrutura de suporte dos condutores, é possível colocar tudo num rotor, tal como o Larry nos mostra na sua página! 

A relação de impedância do transformador para acoplamento a cabo co-axial de 50 Ω é da ordem de 1:4, devendo optar-se pelo enrolamento de tipo isolado: optando pela ferrite mais comum, em anel, as espiras do primário e as espiras do secundário deverão estar totalmente separadas. 

Como referido no artigo precedente, de meados de Novembro, para o entusiasta, há sempre a hipótese de obter um transformador já pronto, dentro de certos limites. Todavia, nem sempre os fabricantes incluem dados que são, por vezes, importantes.   Acresce ainda a maior despesa e inconveniente de não poder utilizar o “miolo” com outros enrolamentos. 

Aparentemente, em Portugal, resulta complicado encontrar ferrites... e quando refiro “ferrites” refiro o tipo que se pretende, já que dois elementos de iguais dimensões podem ser completamente distintos!   Para algumas das (raras) casas que “até vendem ferrites!”, a cor delas parece ser o único factor determinante...  É patético!

 

¹) na sua págª WWW, o artigo Rotatable Flag inclui dados sobre a construção do transformador de Z e dum pequeno pré-amplificador de RF para 100 kHz-30 MHz, que construi e utilizo com bons resultados.

 

 

Por Carlos Gonçalves

carlos-relvas@clix.pt

Membro do DSWC-Danish Short Wave Club International, colaborador dos boletins SWN-Short Wave News (DSWCI), DX Window (DSWCI), Ydun’s Page (Dinamamarca, OM e OL), BC-DX (Alemanha).

 

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