Secção Técnica Temática de trabalhos da A.R.L.A.

Artigos de natureza técnica ou histórica

Aterramentos funcionais e de protecção (3)

[ Miguel Aires ( CT1ETL ) - Outubro 2001 ]

No seguimento do assunto desenvolvido nos primeiros dois artigos desta série, será conveniente abordar também de uma forma muito sumária e a título informativo a questão do sistema de protecção contra descargas atmosféricas.

As descargas atmosféricas podem ser perigosas apesar de parecerem remotas as hipóteses de nos atingirem ou de atingirem o edifício ou viatura onde nos encontremos.

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Quando os relâmpagos estão a ocorrer nas proximidades, ficamos sempre sujeitos a sermos atingidos directamente por uma descarga atmosférica, seja pessoalmente no exterior ou dentro da edificação onde nos encontrarmos. Contudo, a hipótese de uma pessoa ou mesmo uma habitação serem atingidas por um raio é algo mesmo assim pouco provável, ( cerca de uma possibilidade em um milhão de ocorrências ).

É importante ter-se em consideração que maioria das mortes e ferimentos não são devidos à incidência directa mas sim a efeitos indirectos associados à incidência próxima de um raio ou efeitos secundários das descargas atmosféricas.

Os efeitos secundários estão normalmente associados a incêndios, queda de linhas de energia induzidas por estes efeitos colaterais das descargas e até mesmo a destruição de material electrónico. Numa estação de radiocomunicações não protegida, os efeitos podem ser ampliados pelo facto de que os cabos de rádiofrequência usados para ligar os equipamentos às antenas são óptimos condutores para trazerem para dentro de casa os efeitos primários ou secundários de uma descarga atmosférica.

A corrente de um raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através de aquecimento súbito e com temperaturas elevadas ou de uma variedade de reacções electroquímicas.

No corpo humano a extensão dos danos depende sobretudo da intensidade da corrente e não da tensão, mas igualmente das partes do organismo afectadas, das condições físicas do indivíduo, e das condições específicas do incidente. Cerca de 20 a 30 % das vítimas de relâmpagos morrem, a maioria delas por paragem cardíaca e respiratória, e cerca de 70 % dos sobreviventes sofrem por um longo período de tempo para além de danos físicos sérias sequelas psicológicas e traumáticas. As consequências psicológicas mais comuns são a diminuição ou perda de memória, a diminuição da capacidade de concentração e os distúrbios do sono.

De modo a evitarem-se os acidentes, os procedimentos de protecção pessoal e os regulamentos sobre protecção das construções devem ser seguidos e respeitados.

Se possível, tente cumprir ao máximo todas as regras de segurança na sua instalação radioeléctrica e manter-se informado sobre os últimos adventos nesta área.

Os responsáveis por uma estação de radiocomunicações devem estar especialmente atentos para a montagem ou para as condições em que se encontram os pára-raios já existentes na casa ou edifício de apartamentos, tomando as devidas providências para que o sistema irradiante da sua instalação radioeléctrica não se transforme num ponto altamente atreito a grandes probabilidades de sofrer descargas atmosféricas sem possuir as devidas medidas de protecção.

Alguns conceitos úteis para as matérias que se seguem :

Como se forma uma descarga atmosférica ?

Toda a matéria é formada por moléculas, as quais por sua vez são constituídas por átomos.

Os átomos são compostos por um núcleo de carga positiva e um conjunto de electrões de carga negativa que orbitam na sua periferia

Quando um átomo perde electrões, rompe-se esse equilíbrio básico entre as suas cargas negativas ( electrões ) e a carga positiva do núcleo. Basta que seja suprimido um único electrão de um átomo para que parte de sua carga positiva deixe de ser neutralizada. O átomo converte-se então numa partícula de carga positiva, ou ião positivo.

As nuvens são formadas por uma quantidade grande de partículas de água.

Em virtude de correntes e turbulências atmosféricas, as partículas criam atritos e colidem umas com as outras, comportando-se então como minúsculas baterias nas quais se acumula carga positiva ou negativa.

Estas cargas eléctricas, ( geralmente negativas ) têm normalmente a tendência para se acumularem nas zonas mais baixas das nuvens, o que significa que nestas camadas inferiores o potencial é geralmente negativo em relação ao solo debaixo delas.

A terra por definição é sempre neutra, isto é, não tem carga, tornando-se por isso um ponto referencial na electricidade, de qualquer forma há fortes probabilidades de se formar uma carga positiva induzida por vezes na superfície do solo que assume o mesmo valor da carga negativa da nuvem.

Da mesma forma que na nuvem se formam centros de carga, algo similar ocorre na terra, pois há solos mais condutores que outros, considerando-se à luz dos conhecimentos actuais que as cargas na terra se movem segundo a indução imposta pelas nuvens.

Já que uma nuvem pode cobrir grandes áreas terrestres, sua influência electrostática é sempre importante, podendo deste modo virem a ser originados diversos centros de carga.

A nuvem e o solo passam a comportarem-se então como um condensador gigante, o qual fica dotado de uma carga eléctrica muito elevada. Como a camada de ar que os separam é quase um isolador perfeito, isto é, possui uma rigidez dialéctica muito elevada, na maior parte dos casos não ocorre nenhuma descarga entre ambas as partes.

Quando porém , a carga total sob tensão é muito elevada, esse excesso provoca a emissão de um raio preliminar, denominado raio líder ou descarga-piloto o qual é atraído para um pólo de carga oposta, isto é, algo que se destaque à superfície do solo ou até mesmo uma outra nuvem próxima.

No seu trajecto sinuoso, essa descarga preliminar ioniza o ar, despojando de electrões os átomos de nitrogénio, oxigénio e argónio que se encontram presentes na atmosfera ao longo do percurso. Os átomos que entretanto perderam um ou mais de seus electrões, ou seja, os iões, funcionam, então , como uma espécie de " condutor ", já que o gás ionizado é um bom condutor de electricidade.

Ao longo deste "condutor", após a descarga piloto, vem logo de seguida, a chamada descarga-guia que se caracteriza por procurar sempre seguir o percurso de maior condutibilidade.

Uma vez que se forme a carga positiva induzida na superfície do solo desenvolve-se analogamente uma descarga-piloto ascendente, a qual se dirige para a descarga-guia descendente em formação, entrando ambas em contacto a alta velocidade já praticamente na nuvem onde se iniciou todo processo de indução electrostática. Por essa razão se denomina este fenómeno de descarga de retorno.

Logo de seguida tem lugar uma outra descarga denominada principal, desta vez no sentido da nuvem para a terra.

Quando as cargas nas nuvens são de tal modo elevadas que não podem ser neutralizadas pela descarga principal, esta é acompanhada por outras, denominadas descargas reflexas, que também geram as suas próprias descargas de retorno aproximadamente da mesma forma da descarga principal.

O deslocamento dos electrões entre os pólos constituídos pelo solo e pela nuvem processa-se a velocidades de várias dezenas de quilómetros por segundo. Os gases que se interpõem no seu percurso entre duas nuvens ou entre a nuvem e o solo têm seus átomos bombardeados com tal violência, que certo numero dos seus electrões são arrastados nesse processo.

O início da descarga, num primeiro momento, é invisível, ( mesmo quando várias descargas-piloto se aproximam da terra, em forma de ramificações ). Neste processo, só a descarga de retorno principal é que dá origem às descargas visíveis.

A corrente de uma descarga atmosférica é da ordem de 15.000 Amperes, podendo chegar aos 200.000 Amperes. O tempo de duração total de um raio é de aproximadamente 200 micro-segundos, porém a frente de onda ocorre em apenas 1,2 micro-segundos.

Os raios incidirão sobre o elemento que tiver maior condutividade ( mais exposto no terreno ) sobretudo se for capaz de acrescentar mais cargas ao fenómeno.

Quais são os efeitos indirectos das descargas atmosféricas ?

Os efeitos indirectos dos raios incluem tensões induzidas, sobretensões, tensões de toque e de passo.

As tensões induzidas são produzidas em pontos no solo próximos ao local da queda do relâmpago quando o raio se aproxima do solo. A tensão induzida sobre uma pessoa que se encontre no exterior de uma forma desprotegida pode causar a ocorrência de uma descarga para cima a partir da sua cabeça, o que quase sempre resulta em morte.

As sobretensões são causadas por diferenciais de tensão entre o objecto percorrido pela corrente da descarga e objectos próximos, tendo como resultado as descargas laterais. Tais descargas laterais são comuns em antenas, sobretudo nas proximidades de pára raios deficientes, torres ou outros objectos metálicos de certa dimensão.

As tensões de toque e de passo referem-se a diferenças de tensões induzidas por descargas próximas ao longo da direcção vertical e ao longo do solo ou de superfícies horizontais, respectivamente. Estas tensões estão normalmente presentes entre diferentes pontos de um condutor ou pontos de diferentes condutores na vizinhança do local de queda de uma descarga.

O SPDA, o que é ?

O Sistema de Protecção contra Descargas Atmosféricas tem como função blindar uma estrutura, os seus ocupantes e os seus conteúdos, protegendo-a dessa forma contra os efeitos térmicos, mecânicos e eléctricos associados às descargas atmosféricas.

Trata-se de um sistema completo composto de uma componente de protecção exterior e uma interior. Em casos particulares, o SPDA pode compreender unicamente uma parte do sistema externo ou interno.

A componente externa é constituída por captores, condutores de descida e o sistema de aterramento respectivo. A componente interna é por sua vez constituída por um conjunto de dispositivos que reduzem os efeitos eléctricos e magnéticos da corrente de descarga atmosférica dentro do volume a proteger.

O sistema actua de modo que a descarga atmosférica possa entrar em contacto com o solo sem passar através das partes condutoras da estrutura ou atingir seus ocupantes causando dessa forma acidentes graves que podem ter como consequência a morte ou incapacitação grave de pessoas e danos irreparáveis nos bens.

Um sistema de protecção destes não tem como missão impedir que um raio atinja a estrutura; mas apenas pretende ser um meio para controlar e impedir danos através da criação de um caminho de baixa resistência eléctrica para a corrente da descarga atmosférica fluir para o solo.

Esta ideia de proteger prédios e outras estruturas dos efeitos directos dos relâmpagos através do uso de condutores foi pela primeira vez sugerida à cerca de dois séculos por Benjamin Franklin.

Os principais componentes de um sistema de protecção contra relâmpagos são :

  • Terminais Aéreos - Conhecidos habitualmente na linguagem comum como pára-raios. São compostos por hastes condutoras rígidas montadas numa base própria, cuja função é a de receberem qualquer descarga que atinja a área de protecção. Estes dispositivos devem ser instaladas nos pontos mais altos de uma estrutura. Algumas vezes, algumas destas hastes são interligadas através de condutores horizontais.

  • Condutores de Descida - Cabos que fazem a ligação entre os terminais aéreos e os terminais de aterramento.

  • Terminais de Aterramento – Condutores metálicos que servem para ligarem os condutores de descida ao solo. Eles são tipicamente constituídos por condutores de cobre ou revestidos com cobre enterrados no solo. O nível de eficiência do aterramento está bastante dependente das características de cada solo em particular.

  • Condutores de Ligação Equipotencial - São condutores que visam igualar o potencial entra os diferentes condutores de modo a impedir descargas laterais. Estas descargas laterais, também conhecidas como correntes de sobretensão, são causadas por diferenças de potencial entre a corrente que percorre o condutor e objectos próximos. Elas são o resultado da resistência finita dos condutores à passagem de corrente eléctrica e a indução magnética

O que é o centelhamento perigoso ?

É uma descarga eléctrica inadmissível, provocada pela corrente de descargas atmosféricas no interior do volume a proteger.

O que se considera um raio ?

Um dos impulsos eléctricos de uma descarga atmosférica para a terra.

O que é o nível de protecção ?

Trata-se de um termo de classificação de um SPDA em relação ao seu grau de eficiência. Este termo expressa a probabilidade do sistema proteger um determinado volume contra os efeitos das descargas atmosféricas.

Regras gerais

A protecção da edificação ou torre de suporte das antenas tem apenas como finalidade captar e escoar a corrente da descarga atmosférica para a terra caso ela ocorra sobre o seu volume.

Os seres humanos no interior de um edifício estão protegidos, porém os equipamentos muito sensíveis não estão. O grande campo magnético associado à descarga pode afectar estes equipamentos, assim como as descargas nas redondezas e as correntes circulantes na terra, caso o aterramento não seja adequado e as linhas de energia e de comunicação não estejam protegidas contra surtos.

Os equipamentos sensíveis no interior dos edifícios devem ter um sistema de protecção dedicado, que esteja associado às suas características de suportabilidade. Para isto todas as possibilidades de acoplamento devem ser efectuadas e adicionalmente deve ainda ser feito um trabalho de protecção que envolva desde as blindagens até aos filtros protectores de baixa tensão.

A ameaça para os equipamentos não é apenas a " queda " de um raio sobre a edificação em que estão alojados. As descargas nas imediações podem induzir elevados surtos nas linhas de energia de alta e baixa tensão, assim como em linhas telefónicas ( troncos e ramais ) ou linhas de comunicação de dados e antenas. Estes surtos podem alcançar os equipamentos, os quais podem sofrer desde paralisações temporárias até avarias irreparáveis com queima total de partes sensíveis.

Um dos grandes problemas nos sistemas de protecção refere-se ao aterramento ( ligação à terra ). Em geral as recomendações vão no sentido de se ter uma baixa resistência, o que não quer dizer necessariamente que o aterramento seja bom. As malhas de aterramento que têm a função de escoar correntes quando ocorre um curto-circuito, ou escoar as correntes de surtos relacionados com as descargas atmosféricas também devem ser devidamente bem planeadas.

Para os dois casos as condições são diferentes, porém, por questões de engenharia, devemos associar as malhas da melhor maneira possível conforme as condições locais.

Um aterramento para correntes de surto é considerado de qualidade quando possibilita o escoamento de um grande volume de energia, de forma a diminuir as tensões de passo ou reduzir até à eliminação a circulação das correntes mesmo em blindagens ou cabos.

É comum dizer que um pára-raios muito bom " atrai " os raios. Na realidade o fenómeno das descargas é de grandes proporções, ocorrendo geralmente a uma distância de vários quilómetros, por essa razão não será apenas um conjunto de cabos e captores que definirão o caminho preferido para a descida pelos fenómenos atmosféricos de natureza eléctrica.

Na ocorrência de uma descarga, a estrutura que tiver uma boa protecção não sofrerá, enquanto que outra, desprotegida, terá que suportar sobre seu próprio corpo a captação, descida e o descarregar para a terra de toda a energia envolvida, com consequências imprevisíveis.

Quando se vêem grandes edifícios de arquitectura ousada e óptimos acabamentos, há sempre o inestético " defeito " das descidas do pára-raios com um cabo passando por diversos isoladores. Para que servem os isoladores ? Apenas quando a estrutura de suporte é de material combustível ( madeira, por exemplo ) é que são imprescindíveis tomarem-se precauções suplementares desta natureza, mas como quase todos os edifícios são hoje são em betão ou alvenaria há quem defenda que muitas vezes não há qualquer justificação para o uso dos isoladores.

Além disso, a distância de 10 ou 20 cm dos isoladores não faz muita diferença em termos de protecção quando falamos em correntes da ordem de mais de 15.000 Amperes.

A zona de protecção de um pára-raios formado por um terminal aéreo é a região adjacente, a qual é substancialmente imune a incidência directa de relâmpagos. Como uma regra simples, esta região pode ser considerada como representada por um cone ao redor do terminal aéreo tendo um raio no solo equivalente a altura do terminal aéreo em relação ao solo.

A aplicação desta « teoria do cone de protecção » na prática está sujeita a muitas excepções e deve ser considerada somente como uma primeira aproximação a esta questão.

Tem-se demonstrado que o raio do cone de protecção depende de sobremaneira do nível de eficácia do sistema esperado em relação à qualidade de solo e outros factores, como a altura da estrutura e mesmo a resistência de aterramento equivalente, ( a relação entre os valores de crista da tensão e da corrente no eléctrodo de aterramento que, em geral, não ocorrem simultaneamente. Este é inclusivamente um parâmetro utilizado para indicar a eficiência do sistema de aterramento ).

Para estruturas com alturas superiores a 20 m, por exemplo, esta teoria não é aplicável. Nestes casos, aplica-se uma outra conhecida como « teoria da esfera rolante ».

Esta teoria é baseada no conceito de distância de atracção, ou seja, é a distância entre a ponta do terminal aéreo considerado e o ponto de queda do relâmpago no solo no instante da quebra de rigidez dieléctrica do ar próxima do solo. A zona de protecção calculada por esta teoria é em geral menor que aquela obtida pela « teoria do cone de protecção ».

Para estruturas com alturas superiores a 60 m deve ser pensado outro tipo de sistema de protecção que utiliza condutores horizontais ligando vários terminais aéreos de modo a formar uma espécie de gaiola.

Um sistema de protecção contra descargas atmosféricas pode também incluir componentes para prevenir danos causados por efeitos indirectos dos relâmpagos, tais como supressores de surtos. A actividade de trovoadas próximas, incluindo relâmpagos dentro e entre nuvens, pode causar surtos de tensão, conhecidos como sobretensões ou transientes, que podem afectar linhas de corrente eléctrica, cabos telefónicos ou de dados, e instrumentação em geral como as estações de radiocomunicações.

Os surtos de tensão são aumentos momentâneos na tensão normal de funcionamento um sistema eléctrico, causados pelos efeitos electromagnéticos associados aos relâmpagos. Os supressores de surtos podem ser adicionados a um sistema de protecção contra descargas atmosféricas para proteger os equipamentos electrónicos contra sobretensões. Existem diversos tipos de supressores, entre eles centelhadores a ar, centelhadores a gás, varistores e diodos zener. Em várias aplicações é necessário o uso combinado de mais de um tipo de supressor, formando um circuito de proteção.

Existem dois sistemas principais de protecção reconhecidos pelas legislações nacionais, o sistema Franklin e o sistema de Gaiola de Faraday

O pára-raios :

Um sistema de pára-raios é um elemento constituído por três partes :

  • Pára-raios propriamente dito ( captor )

  • Cabo ou elemento condutor

  • Terra Física

Os pára- raios classificam-se, segundo o tipo de captor que utilizam, em :

Pára-raios comuns, tipo Franklin, em homenagem ao seu inventor, Benjamin Franklin ( l706-l790 ), o estadista e cientista norte americano que construiu o primeiro no ano de l760. Em l782, o rei Luís XVI mandou instalar um pára-raios no Louvre e em l788 foi instalado o primeiro em Londres , na Catedral de Londres. O captador é constituído por uma ou mais hastes metálicas pontiagudas, fixadas a uma base, onde é preso o condutor metálico denominado " condutor de descida " , cuja extremidade é ligada à terra. A instalação de pára-raios com captadores comuns é apresentada nos Decretos-Lei 740/74 de 26 de Dezembro e 303/74 de 26 de Maio.

O sistema Franklin mais comum costuma ser composto por um captor com quatro pontas, montado sobre um mastro, cuja altura deve ser calculada conforme as dimensões do edifício, podendo ser colocado um ou mais captores para uma protecção mais abrangente. A malha de descida do captor tem que ser em cabo de cobre com a secção de 35 mm, e sem emendas no seu condutor de descida até ao aterramento.

O pára-raios tipo comum, desenvolvido por Benjamim Franklin é utilizado mesmo actualmente e continua a ser considerado como adequado. No entanto, devido às proporções das descargas, as pontas do pára-raios comum não têm nenhuma serventia especial, apenas podem ficar mais " atraentes " do que as montagens de uma ponta só, e mais caras claro.

Quando não é prático nem económico, ou mesmo viável, colocar-se uma torre ( ou mais de uma ) cuja altura assegure ao pára-raios na cobertura da edificação a proteger, interligando-se os mesmos por cabos, formando, assim, a malha que é ligada à terra. Esta ligação é feita em vários pontos de aterramento. Ao sistema de protecção realizado deste modo denomina-se " Gaiola de Faraday "

O sistema de Gaiola de Faraday consiste numa malha de captação, formando módulos rectangulares, utilizando-se para esse efeito cabos de cobre nu com a secção de 35mm passando por suportes isoladores. As suas emendas e ligações deverão ser sempre executadas através de soldas exotérmicas.

Todas as antenas e escadas de ferro deverão ser interligadas com a gaiola de Faraday através de cabo nu 35mm, através de solda exotérmica ou sistema de ligação devidamente fixado sem folga.

As Gaiolas de Faraday devem ser constituídas por isoladores simples, isoladores de reforço, isoladores de esquina, fixa-cabos, e principalmente os isoladores tipo captor aéreo, para que possam receber e dissipar as ondas de uma descarga atmosférica.

Executa-se a malha de aterramento com cabo de cobre nu não inferior a 50 mm. Para edificações acima de 20 metros, que não forem executados os aterramentos junto ás fundações, deverão possuir 4 ( quatro ) descidas laterais, com cabo de cobre nu não inferior a 16 mm, sem emendas, e obedecendo ao espaçamento entre si de acordo com o nível de protecção. Executar a gaiola de Faraday junto ao nível superior ( caixa de água ), e inferior ( beirais ) do volume a proteger, sendo instalados os captores aéreos necessários para seu nível de protecção

Pára-raios radioactivos. O captador , de forma especial ou mesmo convencional, recebe uma certa quantidade de material radioactivo com a finalidade de aumentar a ionização do ar melhorando o desempenho do pára-raios.

Os riscos que eventualmente oferecem fizeram com que sua fabricação e utilização fossem proibidas em muitos países. Na realidade está por comprovar cientificamente que o desempenho seja realmente melhorado de facto por este sistema.

Detalhes construtivos do sistema de pára-raios :

Condutividade

  • A resistência total, do pára-raios até à placa, deverá ser inferior a 0,03 Ohms.

Ligações e instalação

  • As ligações devem ser as mínimas indispensáveis, o mais curtas possível.

  • A trajectória será a mais directa possível, evitando-se as curvas fechadas e ângulos rectos.

  • A secção do cabo de descida deverá ser de cobre de 50 mm2, no mínimo.

  • O captor ( ou ponta do pára-raios ) deverá ser colocado de forma a sobressair pelo menos 15 cm em relação a qualquer outro elemento em que estiver montado.

  • Placa de escoamento da descarga e aterramento :

  • A placa de contacto directo com a terra deverá ser de cobre, de mais de 0,8 m2 de área, e de uma espessura de 4 mm, no mínimo.

Considerações especiais : Antenas

Podemos assegurar que as antenas dos equipamentos de radiocomunicações se venham a comportar com verdadeiros pára-raios caso sejam atingidas por um raio, se elas tiverem capacidade suficiente ( o que não é muito comum no tipo de instalações de amador das radiocomunicações ).

Uma antena pode até eventualmente actuar como elemento protector, se tiver uma condutividade adequada e se estiver equipada, ( tal como o aparelho de rádio), com descarregadores, ou outro meio qualquer para fazer a ligação à " terra " ( aterramento ) durante as tempestades eléctricas. Para além de um sistema de pára raios convenientemente montado no seu topo, o aterramento de protecção de uma torre de antenas tem que possuir características para receber uma descarga atmosférica e comportar-se como um verdadeiro sistema de protecção contra descargas atmosféricas.

Antena com capacidade para suportar descargas atmosféricas :

Algumas antenas de fio longo ou verticais altas para as faixas de frequências mais baixas do serviço de amador ficam sujeitas a maiores probabilidades de virem a ser atingidas directamente por raios. Por esse motivo têm que ser pensadas e construídas de forma a poderem suportar descargas atmosféricas directas, sem que isso comprometa as suas qualidades e o seu rendimento.

Para além das considerações atrás descritas, os descarregadores destas antenas terão que trabalhar uma tensão de alimentação definida ( proporcional à tensão de serviço do aparelho protegido para este não sofrer danos ), os quais devem restabelecer automaticamente seu isolamento, depois da descarga ter lugar.

A secção mínima de antena, admitida, é de 10 mm2 de cobre ou equivalente.

O sistema deverá sempre ser inspeccionado após ter sofrido uma descarga.

Antena sem capacidade para suportar descargas atmosféricas :

Tal como foi abordado há pouco na questão das torres de antenas, neste caso devemos instalar um pára-raios, ou outro elemento que cumpra esta função no mastro de suporte, numa posição mais elevada que a antena, suficientemente alto para ela ficar protegida de acordo com o respectivo cone de protecção do pára-raios.

Se correctamente instalado, um sistema de protecção contra descargas atmosféricas pode até vir a apresentar um ângulo de protecção de aproximadamente 45 graus, dependendo do tipo de elemento a ser instalado e dos princípios atrás inumerados.

Evidentemente, se já possuímos um sistema de protecção contra descargas atmosféricas, a instalação do sistema irradiante deverá ser realizada abaixo cone de protecção do pára-raios, e a uma distância prudente, para evitar que a antena funcione também como elemento captor acidental.

 

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