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Artigos de natureza técnica ou histórica

RST

[ Miguel Andrade - Julho de 2001 ]

O sistema de confirmação de recepção que é em teoria usados pelos radioamadores em todo mundo é o RST acrónimo das palavras " Readability, Strenght, Tone " - Compreensibilidade ( ou legibilidade ), Amplitude de Sinal ( ou potência do sinal recebido ) e Tom ( ou tonalidade ).

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O RST, como veremos adiante, é um procedimento em que são fornecidos vários parâmetros de apreciação dos sinais recebidos, tornando-se um auxiliar precioso para quem use estes conceitos de uma forma científica.

A compreensibilidade traduz-se na forma como conseguimos descodificar a mensagem sendo para isso usada uma combinação de valores entre a quantidade de palavras ou símbolos perfeitamente descodificáveis e a qualidade do áudio recebido.

A amplitude de sinal é quantificável na quantidade de energia que uma onda portadora consegue fazer chegar ao receptor, daí lhe estar associado o conceito de « força de sinal » ( ou potência de sinal ).

O tom é sobretudo uma questão que faz sentido em termos de telegrafia e tem tudo a ver com a pureza do sinal recebido e a forma mais aguda ou grave de como nos chega a transmissão. Para quem não tem qualquer conceito sobre a prática da comunicação em telegrafia por código Morse é difícil ter noção do que se procura transmitir com este conceito.

As origens desta forma de confirmação de recepção estão muito próximas das origens das radiocomunicações, mais propriamente no ano de 1934 sob proposta do radioamador Norte Americano W2BSR. Este sistema original usava uma escala de possibilidades 559 ( R = de 1 a 5 ), ( S = de 1 a 5 ), ( T = de 1 a 9 ).

O tom era bastante mais detalhado porque era feita uma complexa avaliação até se atingir a « pureza total » na nota musical, a qual estava muito dependente de inúmeros factores incluindo a filtragem na fonte de alimentação e outros factores de ruído.

Cerca de um ano mais tarde, por volta de Outubro de 1935 o mesmos autor da proposta RST avança com um segundo plano no qual era desta vez ampliada a gama de sinais possíveis a atribuir ao valor da amplitude de sinal, a fim de tornar esta confirmação mais útil e coerente com as evoluções da rádio, passando o « novo » sistema RST a comportar uma escala de possibilidades de 599.

Como ficou anterior mente patente, alguns destes parâmetros têm fundamentos de ordem prática, isto é, quantificável e possível de medir e escalonar em unidades de medida compostas por valores concretos, outras são mais classificáveis por conceitos mais abstractos.

A instrumentação de leitura de sinal hoje praticamente obrigatória nos equipamentos da actualidade deriva precisamente da necessidade de se transmitir com rigor a amplitude do sinal recebido em unidades de medida.

No início este conceito era bastante variável, e apareceram alguns dispositivos que tinham uma escala que terminava em 5 tal como ainda hoje se aplica para avaliar a compreensibilidade e outros que terminavam em 9 como se estipulou escalonar a amplitude de sinal. Esta diferença entre as duas escalas resultou directamente das inovações técnicas que permitiram introduzir leituras automáticas dadas pelo próprio equipamento ao sistema standard de relatório de recepção, sobretudo as ocorridas entre 1934 e 1936. De entre estas evoluções, destacam-se os novos voltímetros a vácuo que começaram usados não só para alinhar o receptor como inclusivamente para determinar a amplitude dos sinais recebidos.

Mesmo na actualidade a generalidade dos medidores de amplitude de sinal, conhecidos vulgarmente por " S-meters ", são muitas vezes uma derivação da função AGC – " Automatic Gain Control " ( Controlo Automático de Ganho ), que no início foi mesmo conhecido e concebido para a função de AVC " Automatic Volume Control " ( Controlo Automático de Volume ), pelo que não é possível estabelecer qualquer rigor e um paralelo entre as leituras dadas pela aparelhagem de medida nessas condições e as exigências do sistema RST.

São poucos os circuitos concebidos para a medição de amplitude dos sinais recebidos que podem atingir com rigor os propósitos e fins da escala em que o sinal 9 corresponde aos 50 microvoltes, equivalendo a cada unidade entre 1 e 9 a uma redução daquele nível na ordem dos 6 dB. É sobretudo nos equipamentos de ondas curtas ( HF ) e nos mais sofisticados emissores/receptores multibanda que cobrem as faixas de frequências mais altas onde mais vulgarmente se encontram este tipo de medidores com a escala e a função apropriada.

Ainda para mais, temos que considerar as diferenças de ganho na recepção e sensibilidade nas resposta dos aparelhos a cada faixa de frequências.

Pelas razões acima apontadas, o sistema standard proposto em 1940 nunca foi na realidade adoptado com rigor pelos fabricantes, embora se possam encontrar no mercado desde essa altura equipamentos com a escala correspondente como se na realidade fosse posto em prática e se tivesse de facto tornado universal.

Não é porém caso para desanimar, porque qualquer mostrador bem calibrado, analógico ou digital, como os que estão incorporados nos actuais equipamentos comerciais, pode fornecer uma leitura bastante aproximada às exigências RST entre S1 e S9 mesmo se contudo não for essa a sua escala.

Outras considerações se podem no entanto fazer sobre quanto aos valores acima de S9. Os valores dados todos os dias a colegas a milhares de quilómetros de distância com sinais de S9+10 dB ou 9+60dB são fruto sobretudo da imprecisão de conceitos que por muito científicamente fundamentados ultrapassam o que está normalizado para as medidas do conceito RST. É sobretudo mais um daqueles atractivos do marketing comercial que controlam os operadores do que na realidade em rigor um controlo do operador sobre a sua actividade.

Da mesma forma, quando atribuímos um S0 estamos a violar os conceitos estabelecidos pelos quais temos que responder nos exames de admissão à licença que nos permite usar as radicomunicações no serviço de amador.

Qualquer escala em perfeita harmonia com o sistema RST deve ter início em S1. Tal como não faz sentido ultrapassar para um nível superior a escala e atribuir valores acima dos sinais extremamente fortes, atribuindo valores que ultrapassam o inultrapassável para destinguir os extremamente fortes dos « extremamente-fortes-mais-um-bocadinho », também não faz sentido atribuir valores ao que não existe, classificando os « menos-existentes-dos-inexistentes ».

Muita atenção porém, porque com estes conceitos não se está a desvalorizar os princípios e justificações que estão no fundamento dos S0 ou dos S9+ sobretudo porque há formas de comprovar a utilidade dessas medidas. O que é necessário esclarecer e deixar muito bem claro é que ao atribuir-se um sinal de 4 da próxima vez nos consciencializemos que não estamos a trabalhar no sistema RST se podemos fazer leituras entre 0 e 1 ou acima de 9.

Muito menos sentido faz enviar ou receber uma confirmação QSL em que se diz estar a usar o sistema RST e preencher-se um S9+20 ou atribuir-se um S5 quando a escala do medidor da intensidade de sinal no nosso equipamento vai de 0 a 9+60 dB.

Os medidores que estão calibrados para o sistema RST apresentam no início da escala o valor S1 atribuído àquelas situações em que não há qualquer presença de sinal. Quando for recebida alguma alteração que corresponda a um certo nível mensurável de microvoltes então ocorrerá a correspondente actuação do medidor e começarão a aparecer valores acima de 1 conforme a extensão da amplitude do sinal recebido. Na outro extremo da escala deve estar o número 9 apenas, ao qual corresponderá o nível de sinal máximo recebido ( mesmo tendo em consideração a proposta dos 50 microvoltes ).

Se até agora nos temos debruçado sobretudo no que diz respeito à parte em que a electrónica tem o seu papel mais interveniente, convém não terminar este pequeno artigo sem referir algumas breves particularidades em relação à questão do tom.

Como pudemos apreciar logo no início, o maior número de valores possíveis foi desde a primeira proposta do sistema RST o relacionado com esta avaliação na recepção.

Enquanto que entre 1936 e a actualidade os valores atribuídos à compreensibilidade, e amplitude de sinal não sofreram modificações, nos anos da década de 1970 ocorreram mudanças em relação ao tom. Estas alterações tiveram lugar para acompanhar a evolução tendo-se sobretudo acentuado a divergência em relação aos fundamentos iniciais da procura de pureza na telegrafia, para outros conceitos mais de acordo com a actualidade da evolução técnica indicando hoje inclusivamente possíveis avarias nos diferentes componentes do emissor.

Reconhecer hoje as falhas em telegrafia está-se a tornar cada vez mias difícil em virtude das qualidades, filtragens e estabilidade que os equipamentos modernos oferecem tanto na emissão como na recepção, já para não abordar o facto dos inúmeros operadores que fazem uso dos computadores para receber e emitir neste modo de radiocomunicações apresentando por isso uma impressionante « qualidade » de operação se o equipamento corresponder.

Em face destas considerações, cabe a cada um decidir se fará uso do rigor na confirmação dos sinais através do sistema RST que estudou para os exames de aptidão técnica, ( o qual foi inclusivamente adoptado oficialmente e aprovado pelas organizações internacionais ), ou se fará uso das leituras que nos são fornecidas pela instrumentação do seu equipamento comercial quando esta não está calibrada para esta função, ( a qual é a mesma que provavelmente o nosso interlocutor está também a utilizar do outro lado ).

O sistema RST actual


Readability ( Compreensibilidade )


1 - ilegível ou imperceptível

2 - muito pouco legível ou legível por vezes ( compreendem-se apenas algumas palavras mas é possível perceber que está alguém em emissão )

3 - legível com dificuldade ( ocorrem muitas falhas mas apesar da considerável dificuldade consegue-se compreender a mensagem )

4 - legível sem dificuldade ( apesar de falhas ocasionais a não é difícil compreender toda a mensagem sem grande esforço )

5 - perfeitamente legível ( sem falhas )


Strenght ( Amplitude de Sinal )


1 - sinal inexistente ou imperceptível

2 - sinal muito fraco

3 - sinal fraco

4 - sinal aceitável

5 - sinal razoável

6 - sinal bom

7 - sinal moderadamente forte

8 - sinal forte

9 - sinal muito forte


Tone ( tom ou tonalidade )


1 - presença de CA muito forte

2 - presença de CA forte

3 - presença de CA forte, rectificada mas não filtrada

4 - sinal áspero com alguma filtragem

5 - CA filtrada e rectificada mas com ruído forte

6 - sinal filtrado mas ainda com ruído

7 - sinal quase perfeito com ruído fraco

8 - sinal quase perfeito com vestígios de ruído

9 - sinal perfeito sem ruídos de qualquer tipo


 

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