ARLA/CLUSTER: O novo decreto (e a festa continua)

CT1FOQ - Rodrigo Nunes ct1foq gmail.com
Sábado, 7 de Março de 2009 - 14:08:02 WET


Caros colegas:

Quanto à falta de cumprimento dos regulamentos e à falta de civismo nas bandas de amador, são situações que existem em todas as classes de amador como na vida, muito típico do ser humano (e principalmente do povo latino).
Quanto às classes, existem alguns CT1, classe B, sem Morse muitas vezes "camuflados" no indicativo o que não quer dizer que não cumpram os regulamentos.
É só consultar o ficheiro da ANACOM e sabe-se quem são.
Podem confirmar no Link:
http://www.icp.pt/render.jsp?categoryId=205931&themeMenu=1#horizontalMenuArea
e abrir o respectivo ficheiro em Excel.

Parece que quando falamos de CT1, CT2, CT5, Classe A, B e C (e futuramente 1, 2 e 3), com  morse e sem morse estamos a falar de um ranking.

73's

CT1FOQ - Rodrigo Nunes
  ----- Original Message ----- 
  From: Joel Lobão 
  To: fernando seco ; Resumo Noticioso Electrónico ARLA 
  Sent: Saturday, March 07, 2009 1:27 PM
  Subject: Re: ARLA/CLUSTER: O novo decreto (e a festa continua)


  Caro colega,

  Não vi em parte alguma do texto do CT1ENQ algo que sugerisse uma luta de galões. 

  Quanto a CT1's sem morse não existe. Todos os CT1 estão habilitados a fazer morse, quer tenham feito o exame quer tenham passado administrativamente. Além disso há poucos segmentos da banda de amador que um CT1 não possa operar. Que me lembre só os 6m a faixa de 7100 a 7200 e 70Mhz, pois esses carecem de uma licença especial que só é atribuida à classe A.

  Acho que todos querem o bem do radioamadorismo. Apenas cada um tem a sua visão do que é melhor...

  CT1HXB


  2009/3/7 fernando seco <fernando.seco  netvisao.pt>

    " é normal escutar colegas CT2/CT5 (e talvez CT1s) fora dos segmentos que lhes "eram/são" permitidos"


    Porque é que quando se refere aos CT2 não refere classe B? Sim porque existe uma grande parte dos CT1 classe B.
    "Talvez CT1s ..."  tem duvidas que tambem os haverá?

    Já agora qual a diferença em provas prestadas entre um CT1 sem Morse e um CT2 ? O "exame" foi diferente? As pessoas fizeram os exames que lhe foram exigidos para a classe e foram aprovados ou não ponto final.

    Existem bons e maus em todas as classes  e se for de mau caracter ha-de ser em todas .

    Isto em vez de puxarmos todos no mesmo sentido para o futuro do rádioamadorismo,  parece uma luta de galões para ver quem é o o melhor.
    CT2GAI

    ----- Original Message ----- From: "José Miguel Miranda Barroso da Fonte" <etjfonte  ua.pt>
    To: "'Resumo Noticioso Electrónico ARLA'" <cluster  radio-amador.net>
    Sent: Saturday, March 07, 2009 2:33 AM
    Subject: RE: ARLA/CLUSTER: O novo decreto (e a festa continua) 




    A prova que foi de uma assentada, é a de que comecei por tentar fazer uma
    comparação com os dois antigos decretos e a certa altura o cansaço já era
    notório e acabei por atirar alguns pensamentos. Eram quase três da manhã
    quando enviei a mensagem, isto depois de um dia de trabalho cansativo.
    A reflexão que existiu foi a de alguns pensamentos recorrentes, daí algumas
    ideias já estarem definidas.
    :)

    Quanto ao comentário do colega João Martins, o que posso dizer é que se isto
    fosse uma utopia, até os CT5 podiam ser CT1, desde que respeitassem as
    imposições legais. Infelizmente, mesmo podendo ser identificados, é normal
    escutar colegas CT2/CT5 (e talvez CT1s) fora dos segmentos que lhes
    "eram/são" permitidos. Eram, porque agora não sabemos como vai ser.

    (Gostei da estória do Inocêncio eheh)

    No entanto, em relação ao novo decreto, houve uma questão que me suscitou
    curiosidade. Era, e continua a ser por mais 90 dias, comum escutar colegas
    dizer que bastava pedir um indicativo especial para operar todas as bandas,
    Isso, como já foi provado, é mentira. Mas existia outra questão. No decreto
    de 1995, artigo 18º ponto 2, diz:

    "2 - O ICP pode, sempre que se realizem concursos entre os amadores
    nacionais, ou entre estes e os estrangeiros, mediante proposta fundamentada
    de amadores ou de associações de amadores, autorizar, durante o período
    desses concursos e para essa finalidade, a utilização sem restrição de
    distância, tipo de emissão ou de categoria de amador, de qualquer das faixas
    de frequência atribuídas ao serviço de amador."

    Ora, este ponto era interessante e eu concordava com ele, mas e agora?

    Agora é o Artigo 14º (da Lei de 2009). Este diz:

    " Autorizações especiais
    1 - O ICP -ANACOM pode conceder autorizações
    temporárias para o funcionamento de estações, com localizações
    definidas, nos termos do n.º 1 do artigo 15.º, que
    não cumpram no todo ou em parte as disposições técnicas
    definidas no presente decreto -lei, a titulares de CAN,
    com excepção dos da categoria 3, bem como a titulares
    de licenças de estação de uso comum ou de documento
    habilitante válido emitido pela CEPT, UIT ou país com o
    qual Portugal tenha um acordo de reciprocidade.

    2 - O ICP -ANACOM pode autorizar, em determinados
    eventos ou iniciativas, que indivíduos não habilitados para
    o efeito utilizem estações de amador, sob a supervisão de
    amadores das categorias 1, A ou B.

    3 - As autorizações referidas nos n.os 1 e 2 são atribuídas
    mediante requerimento dirigido à ANACOM que
    invoque o objectivo exclusivamente de promoção e divulgação
    do conhecimento tecnológico e científico ou de
    desenvolvimento de actividades experimentais no âmbito
    das comunicações electrónicas em geral e das radiocomunicações
    em particular.

    4 - No caso a que se refere o número anterior, os requerimentos
    devem ser apresentados ao ICP -ANACOM com
    uma antecedência mínima de 10 dias úteis relativamente à
    data pretendida para o início de vigência da autorização.
    5 - Em casos excepcionais, devidamente justificados,
    o ICP -ANACOM pode dispensar o cumprimento do prazo
    a que se refere o número anterior.   "

    (A lei de 95 tem dois pontos.)

    Ora, no ponto 1 refere o ponto 1 de artigo seguinte (15º), que diz:

    "1 - As faixas de frequências atribuídas ao serviço de
    amador e ao serviço de amador por satélite, bem como as
    condições de utilização para cada uma das categorias a
    que se refere o n.º 1 do artigo 5.º, incluindo as respectivas
    potências de emissão são fixadas e publicitadas no Quadro
    Nacional de Atribuição de Frequências (QNAF)."

    Se não estou em erro, acabou-se a cerveja...

    Autorizações especiais, de cariz temporário, aplicam-se nos termos do ponto
    1 do artigo 15º. Este ponto refere que as categorias e suas faixas serão
    publicitadas no QNAF. Das duas uma, ou o QNAF vai ficar ainda maior ou
    alguém meteu água (na cerveja). Será o fim das eventuais excepções
    consentidas pela ANACOM após requerimento "fundamentado".

    O texto além de mais extenso complica o que era fácil.

    Comentários?

    Já agora, alguém sabe as razões da divisão da banda dos 30m em 3 parcelas?
    Não vi ninguém comentar isso. Já há algum tempo que vi esta divisão aparecer
    no QNAF mas não vi nenhuma reacção. O serviço de amador tem estatuto
    secundário nesta banda, mas e daí? Se nem nas bandas de estatuto primário
    com protecção estamos à vontade...)

    Enfim, alguém para a "after-hours" na Zé Malhoa?

    73 de ct1enq


    -----Mensagem original-----
    De: cluster-bounces  radio-amador.net
    [mailto:cluster-bounces  radio-amador.net] Em nome de João Gonçalves Costa
    Enviada: sexta-feira, 6 de Março de 2009 10:14
    Para: 'Resumo Noticioso Electrónico ARLA'
    Assunto: RE: ARLA/CLUSTER: O novo decreto (e a festa continua)

    Muitos Parabéns CT1ENQ,

    Pela sua bem elaborada e fundamentada analise que vem recentrar e
    enriquecer a discussão em muito do que é essencial se discutir no presente e
    para o futuro.

    Discordando em alguns pontos por si abordados, caso do morse, no geral
    concordo com muito do que escreveu e do muito que existe para escrever e
    debater.

    Infelizmente, muitas vezes ficamo-nos pela "espuma dos dias " e não paramos
    para distinguir o joio no meio do campo de trigo.

    Discordo completamente desta sua frase "...escrevi isto duma assentada sem
    muita reflexão " pois não é de todo verdade.

    João Costa,CT1FBF

    ________________________________

    De: cluster-bounces  radio-amador.net
    [mailto:cluster-bounces  radio-amador.net] Em nome de José Miguel Miranda
    Barroso da Fonte
    Enviada: sexta-feira, 6 de Março de 2009 2:49
    Para: 'Resumo Noticioso Electrónico ARLA'
    Assunto: ARLA/CLUSTER: O novo decreto (e a festa continua)



    As notas introdutórias, do antigo e novo decreto, diferem, como seria de
    esperar. O decreto antigo começa por se queixar da complexidade e
    multiplicidade normativa do decreto de 1983. Também afirma que ocorreram
    alterações normativas que justificam as alterações que, entretanto,
    entrariam em vigor. Modificaram-se as categorias, faixas de frequências,
    classes de emissão (mas nem todas contempladas.) e dizem que a as práticas
    decorridas também ajudaram e reformular o "novo", de 1995, decreto.
    Acolhem-se princípios da WRC e CEPT (T/R 61-01 e T/R 61-02). Dai a
    existência de apenas 3 classes.



    Ora, o novo decreto começa por afirmar que o decreto anterior demonstra a
    necessidade de actualização (com atraso de 14 anos). Afirmam que este
    decreto traduz esse esforço! (Bem, a começar com 6 categorias, parece
    simples!).



    A verdade é que alguns dos erros do decreto de 1995 foram corrigidos. Alguns
    pontos do novo decreto já existiam no decreto de 1983. "Desapareceram" desde
    1995 e voltam agora, como o caso de um operador de classe inferior poder
    utilizar a estação de um amador de classe superior desde que respeitando as
    limitações da sua classe. Outro erro corrigido é a frase que consta no CAN,
    actual, de cada um, onde, no verso, diz:



    "A instalação e utilização de estação de amador própria carece de licença"



    A incoerência deste frase é tal que nem merece comentários, no entanto no
    novo decreto, o de 2009, Capítulo III artigo 9º ponto 1, é dito:



    "O funcionamento de estações individuais de amador não carece de licença"



    Contemplam-se normas, extensivamente, para as estações de uso comum, algo
    que não estava contemplado no decreto de 1995, o que é de salutar.



    A renovação automática também me parece bem, contemplada na lei de 2000 cuja
    aplicação excluía o serviço de Amador e Amador por satélite.



    Depois surgem os erros, tipo: Artigo 6º ponto 3:



    " Os CAN são válidos por um período de 10 anos, independentemente da
    alteração de categoria durante esse período."



    Depois o ponto 4 diz:



    " O CAN deve ser alterados nos seguintes casos:

    a)      Por iniciativa do ICP-ANACOM, sempre que se verifique uma alteração
    na categoria de amador;"



    Esta "redundância" parece completamente desnecessária, do tipo, decreto de
    1995. Este é apenas um dos, alguns, casos. A verdade é que li o decreto uma
    vezes mas sempre na "diagonal" e foi o suficiente para perceber que os 14
    anos de espera não vislumbram nada de novo, apenas mais do mesmo, isto,
    mesmo sem conhecer o conteúdo das portarias que se avizinham.



    Um dos pontos que me preocupa é o novo valor das taxas, tendo em conta que o
    serviço de amador NÃO É UM SERVIÇO PÚBLICO mas sim de cariz cientifico
    apesar da "CBização" que se tem verificado.



    Preocupa-me a questão dos novos indicativos. Desde há uns anos que não
    entendo o que a ANACOM anda a fazer. Todos sabem que a série atribuída a
    Portugal é CQ-CU, já para não falar da série XX que se perdeu em 2007 para a
    China sem que ninguém desse por ela (sem comentários).

    A sub-divisão interna é internacionalmente conhecida:



    CQ-CT 0,1,2,4,5,6,7,8 PORTUGAL

    CQ-CT 3,9 MADEIRA

    CU 0,1,2,3,4,5,6,7,8,9 AÇORES



    Até aqui, e apesar dos erros do passado, tudo bem, até que os iluminados da
    Anacom se lembraram de começar a atribuir CQ0 para os repetidores
    continentais, CQ1 e CQ2 para as ilhas, no entanto uma estação continental
    "pode" pedir um indicativo com CQ2 para um concurso. Os CR até à data foram
    reservados para os buracos negros. Enfim, são estes os especialistas de
    trazer por casa, que recebem bateladas de euros ao fim do mês, que andam a
    deliberar e a gerir o nosso serviço.



    Hmm, eles sabem que podem ter indicativos com sufixos de dimensão 4.



    Algo que me preocupa profundamente são as novas classes. O decreto de 95 já
    era suposto aproximar-se do modelo da CEPT dai terem desaparecido as cinco
    classes que existiam (A, B, C, D e E - sim a E existia, era em norma para as
    XYL, e todas as operadoras tinham sufixo do tipo CT1Yxx) e passarem a
    existir apenas 3. Já era suposto serem só três mas agora, julgo, pela razão
    de se evitarem passagens administrativas (os CT2 que se queixaram tanto
    perderam a oportunidade) serão 6. Seis para um universo de, menos de, 6000
    utentes dos quais metade deve estar inoperativa. Isto é no mínimo um absurdo
    mas talvez sejam as consequências do facilitismo verificado nos últimos
    anos, com exames de cruzinhas, e perguntas cuja resposta já era domínio
    público mesmo sem se saber o conteúdo dessa mesma resposta. Alias, basta
    ouvir as conversas no VHF (2m) hoje em dia, para se ouvirem os "macanudos"
    que para terem licença de amador deveriam saber coisas básicas como
    circuitos ressonantes série-paralelo, relação comprimento de onda e
    frequência, etc, mas são os primeiros a admitir que não percebem nada.
    Atenção estou a generalizar e não são apenas CT2, também são CT1s que pelas
    passagens administrativas subiram de classe (mas aqui a idade é um posto e
    não discordo). Mas também é verdade que existem muitos radioamadores que o
    são e no entanto não são especialistas sobre rádio-electricidade, mas
    procuram-no à sua maneira.



    Vão-me desculpar, mas para falar existem muitas outras formas e algumas
    destas são hertzianas, que não o serviço de amador.



    Quanto ao morse, continuo a achar que deve ser um factor de distinção. Foi a
    única "benesse" que as passagens administrativas me deram mas no entanto
    isso não me impediu de o aprender e tentar, sempre, melhorar e ser mais
    rápido. Com este modo podemos escutar balizas de satélites, cujo efeito de
    doppler, inviabiliza (ou dificulta bastante) a descodificação com métodos
    não humanos. Em situações de emergência, quando muitas vezes só temos acesso
    ao "keying" de um transceptor, que por razões várias possa estar danificado
    impossibilitando transmissões noutro modo. O "meteor-scattering" que recorre
    a "pings" ultra rápidos de morse, que obrigam a uma perícia imensa para em
    tempo real, desacelerar esses mesmos "pings", escutar o morse e responder à
    chamada. Enfim, uma panóplia de situações que recorrem ao ser humano e ao
    seu conhecimento adquirido. Quanto à informática, a "óptica do utilizador"
    não me parece relevante, mas o conhecimento dos modos digitais e sub-faixas
    alocadas e estes modos é importante.



    Em relação às novas classes, não me parece que vá haver grandes alterações
    para as classes actuais, dai elas se manterem.



    Enfim..



    É tarde e escrevi isto duma assentada sem muita reflexão. Julgo que temos
    uns 85 dias, mais coisa menos coisa para tentarmos minorar os efeitos
    nefastos que esta lei possa trazer.



    Esta é uma das minhas contribuições. para que a festa continue!



    73 de ct1enq






    _______________________________________________
    CLUSTER mailing list
    CLUSTER  radio-amador.net
    /cluster/listinfo/cluster


    _______________________________________________
    CLUSTER mailing list
    CLUSTER  radio-amador.net
    /cluster/listinfo/cluster


    _______________________________________________
    CLUSTER mailing list
    CLUSTER  radio-amador.net
    /cluster/listinfo/cluster





------------------------------------------------------------------------------


  _______________________________________________
  CLUSTER mailing list
  CLUSTER  radio-amador.net
  /cluster/listinfo/cluster
-------------- próxima parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
URL: /cluster/attachments/20090307/b9b0023b/attachment.html


Mais informações acerca da lista CLUSTER