Re: ARLA/CLUSTER: Quantos Radioamadores? Quantas Associações? Quantos sócios?

Mariano Gonçalves ct1xi sapo.pt
Segunda-Feira, 23 de Junho de 2008 - 23:19:10 WEST


Este comentário, marca de facto uma grande diferença.


----- Original Message ----- 
From: "Paulo Santos" <ct4dk  mail.telepac.pt>
To: "Resumo Noticioso Electrónico ARLA" <cluster  radio-amador.net>
Sent: Monday, June 23, 2008 9:48 PM
Subject: Re: ARLA/CLUSTER: Quantos Radioamadores? Quantas Associações? 
Quantos sócios?


> Mariano, Porque não se cala só diz barbaridades
> como diria SAR D.Juan Carlos de Burbon "Porque não te callas"
>
> Paulo
>
> Mariano Gonçalves escreveu:
>> Prezado Carlos Neves, CT3FQ
>>
>>
>>
>> Os meus cumprimentos e obrigado por esclarecer os seus pontos de vista.
>>
>>
>>
>>
>> Permita-me, referir-lhe a si, alguns aspectos e experiências do passado 
>> recente:
>>
>>
>>
>> Não se nos afigura que as associações estejam a reivindicar 
>> representatividade. Elas ocupam um papel essencial, diria mais, 
>> determinante para a democracia e o pluralismo da nossa sociedade, que 
>> deveria ser mais interventiva, mas tudo terá o seu tempo. Dado que estas 
>> coisas demoram gerações.
>>
>>
>>
>> Já que referiu como exemplo a REP, recordo que, qualquer organismo, pelo 
>> facto de possuir 500 ou 550 associados, não significa que detenha o 
>> direito de chamar a si nenhuma representatividade, quando os restantes 
>> cidadãos nacionais, sejam eles do continente ou das regiões autónomas, 
>> não se querem fazer representar nem filiar nesse organismo, e falamos de 
>> cerca de 5.500 amadores. A REP representará cerca de 10 a 12% dos 
>> amadores portugueses, a maioria dos quais, também estão filiados nas 
>> outras associações portuguesas, que são cerca de 19 e nunca as 260 que 
>> refere, que nunca terão existido sequer depois do 25 de Abril de 1974.
>>
>>
>>
>> No meu caso pessoal, não sou filiado da REP, porque não me revejo no 
>> radioamadorismo desportivo e competitivo, nem no serviço de QSL e 
>> diplomas. Legal e Constitucionalmente nada nos obriga a ter de filar na 
>> REP, ou onde quer que seja, nem mesmo na IARU. A nossa Constituição 
>> confere-nos o direito de escolha e o direito ao livre associativismo.
>>
>>
>>
>> Por motivos conjunturais, fui, e infelizmente para mim e para o modelo 
>> associativo que gostaria de implementar em Portugal, presidente da 
>> direcção da REP, entre os anos de 1999 e 2001. Onde tradicionalmente a 
>> IARU mandava cobrar de quota anual para a REP, o correspondente a cerca 
>> de 3.500 radioamadores portugueses, filiados na REP, e segundo critérios 
>> estabelecidos pela própria IARU (Região1), com um índice de crescimento 
>> anual de cerca de 1,5% ao ano.
>>
>>
>>
>> No primeiro ano em que assumimos a direcção da REP, foi deliberado pela 
>> direcção que a REP apenas pagaria de quota anual para a IARU, a quantia 
>> correspondente ao efectivo número de associados que de facto contribuíam 
>> para a sua liquidez e manutenção dos serviços de Bureau de QSL, e nesse 
>> ano e seguintes (até 2001), foram pagos de quota à IARU apenas cerca de 
>> 575 do número de associados efectivos, entre os mais de 1.750 até então 
>> registados mas que deixaram de contribuir. É fácil de ver pelas receitas 
>> anuais, o número efectivo de contribuintes portugueses para a IARU.
>>
>>
>>
>> Do meu ponto de vista poderiam e deveria ser mais, caso existisse um 
>> organismo federativo em Portugal, que incorporasse ou não as regiões 
>> autónomas da Madeira e Açores, que do meu ponto de vista, deveriam ser 
>> autonomamente representadas na IARU, como ocorre em outros países 
>> democráticos, dado o estatuto de autonomia da Madeira e dos Açores, mas 
>> isso são questões dos nossos compatriotas insulares que não nos dizem 
>> respeito, a decisão e a opção é Vossa.
>>
>>
>>
>> Por outro lado, é hoje absolutamente inegável que o Radioamadorismo em 
>> Portugal tem vindo a evoluir, em termos de estruturas e de intervenção no 
>> âmbito local e regional, graças justamente à criação de associações e 
>> clubes de radioamadorismo. Onde em cada espaço associativo se tem vindo a 
>> desenvolver temáticas, aptidões e competências de manifesto interesse e 
>> utilidade pública, nos campos da ocupação dos tempos livres das crianças 
>> e dos jovens, em termos de cultura e difusão de actividades e festas 
>> populares, em termos desportivos, em termos de criação de redes e 
>> infra-estruturas técnicas de serviço dos amadores e apoio à protecção 
>> civil (embora em muitos casos, quer a administração local, quer a central 
>> não as valorizem, por ignorância e ostracismo, mas isso são outros 
>> temas).
>>
>>
>>
>> Nada mais no radioamadorismo é só a fonia e a telegrafia das faixas de 
>> HF, como terá sido até aos anos de 1970.
>>
>>
>>
>> Repare que, nos últimos 35 anos, todas as áreas temáticas e de 
>> especialização técnica e até científica, desenvolvidas pelo 
>> Radioamadorismo português, tiveram de nascer e crescer, todas elas sem 
>> excepções, fora da intervenção da REP, que apenas se mantém activa no DX, 
>> no serviço de QSL, nas taças e diplomas, sem nunca promover outros tipos 
>> de iniciativas, inclusive na área da educação juvenil (crianças e jovens 
>> em idade escolar) excluindo liminarmente esses projectos, sem nunca os 
>> ter sequer executado.
>>
>>
>>
>> Por outro lado, é importante referir que os organismos privados de 
>> direito colectivo (clubes e associações) são livres de focarem as suas 
>> actividades naquilo que consideram essenciais para si mesma e os seus 
>> associados. Nada obriga um clube de DX e expedições a ilhas e castelos, a 
>> terem de funcionar para o público, sem com isso estarem dispostas a 
>> prestar qualquer serviço de utilidade pública.
>>
>>
>>
>> Mas ao invés disso, outros organismos, incluindo associações criaram 
>> estatutos e planos de acção que potenciam os aspectos temáticos do 
>> Radioamadorismo moderno, de forma colectiva, particularmente focados no 
>> serviço e na utilidade pública, conferindo menos atenção aos aspectos 
>> lúdicos e desportivos ou competitivos do radioamador. As opções são 
>> infinitas, as áreas temáticas do radioamadorismo não tem limites, 
>> dependem da competência e da capacidade de criação e orientação cívica 
>> dos seus promotores.
>>
>>
>>
>> Quanto às suas afirmações, entendo que não são justas, no seu conjunto, 
>> poderão existir casos pontuais, que nem sequer poderão ser sustentáveis, 
>> e com o tempo acabam por se esgotar.
>>
>> Finalmente, eu mesmo e um vasto grupo de outros amadores tivemos de sair 
>> da REP em Julho de 2001, enquanto sócios e para não sermos mais 
>> perseguidos. Autonomizamos o nosso trabalho, que tinha antes sido 
>> integrado na REP em 1997, fundámos a AMRAD em 2001 e digo-lhe hoje, ainda 
>> bem que assim aconteceu - ele há males que vem por bem.
>>
>>
>>
>> Em conclusão:
>>
>>
>>
>> A REP ficou em paz e progride como se sabe, com os seus meios e os seus 
>> associados.
>>
>>
>>
>> A AMRAD tem vindo a crescer, sendo uma pequena ONG dirigida para a 
>> educação e o desenvolvimento, através de uma intervenção educativa, que 
>> se faz centrada no próprio radioamadorismo, participando na educação e na 
>> cultura, partilhando meios técnicos e recursos humanos com escolas do 
>> ensino básico e secundário, centros de formação profissional, 
>> politécnicos e universidades técnicas, mantém parcerias com organismos 
>> nacionais e estrangeiros.
>>
>>
>>
>> A AMRAD é o espaço que em 2001 nos foi recusado criar dentro da própria 
>> REP e de uma possível estrutura de valorização da IARU, mas isso são 
>> desígnios. Consubstancia o moderno modelo associativo do Radioamadorismo 
>> contemporâneo, não desportivo, mas técnico, que emerge um pouco por todo 
>> o mundo, inclusive ao arrepio da IARU, em especial nos EUA e Canadá, na 
>> Europa e Japão.
>>
>>
>>
>> O Radioamadorismo universal e contemporâneo está numa fase de reencontro 
>> e não se esgota, tal como nunca se esgotarão as comunicações 
>> radioeléctricas, que só agora começamos a descobrir e a entender.
>>
>>
>>
>> Um abraço,
>>
>>
>>
>> Mariano, CT1XI
>>
>>
>>
>>
>> ----- Original Message ----- From: <ct3fq  ct3team.com>
>> To: "Resumo Noticioso Electrónico ARLA" <cluster  radio-amador.net>
>> Sent: Monday, June 23, 2008 6:29 PM
>> Subject: Re: ARLA/CLUSTER: Quantos Radioamadores? Quantas Associações? 
>> Quantos sócios?
>>
>>
>>> Boa Tarde caro Mariano,
>>>
>>> A representatividade mede-se pelo nº de sócios. Por exemplo penso que a 
>>> REP deve ter uns 1000 sócios dos 5500 que seriam possíveis, mas isso não 
>>> invalida a representatividade da REP a nível nacional.
>>> O que está aqui em causa é provar que existem falsas associações a nível 
>>> nacional. Acredita realmente que todas as 260 Associações de 
>>> radioamadores existem para servir os radioamadores? Acredita também que 
>>> a quantidade faz a qualidade?
>>> Claro que sei que estou a mexer com poderes instalados, e também sei que 
>>> muitos dos presentes são membros de corpos dirigentes de Associações e 
>>> que este tipo de perguntas incomoda.
>>> Mas afinal o que há a temer em mostrar os numeros? As associações de 
>>> radioamadores são alguma forma secreta da maçonaria?
>>> Que diabo é tão secreto? O que temem as associações? A verdade?
>>>
>>> Um abraço
>>>
>>>
>>>
>>> Mariano Gonçalves wrote:
>>>
>>>> CT3FQ,
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