ARLA/CLUSTER: TDT Portuguesa em MPEG-4: Prós e Contras

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Terça-Feira, 30 de Dezembro de 2008 - 00:53:12 WET


TDT Portuguesa em MPEG-4: Prós e
Contras<http://tdt-portugal.blogspot.com/2008/12/tdt-portuguesa-em-mpeg-4-prs-e-contras.html>
 Com o esclarecimento publicado pela Anacom, em 27/11, foi confirmado
publicamente o sistema de compressão do sinal a utilizar pela futura TDT
portuguesa. Trata-se do MPEG-4/H.264.

Em termos simples, a compressão MPEG-4, sendo mais eficiente (comprime mais
o sinal), permite difundir mais canais no mesmo espectro (espaço)
radioeléctrico (Mux) em comparação com o MPEG-2. Ou seja, utilizando o
MPEG-4 é possível difundir mais programas com a mesma qualidade num Mux
comparativamente ao MPEG-2. O espectro radioeléctrico (frequências) é um bem
escasso e a sua utilização é paga. Ao utilizar o MPEG-4 o negócio da TDT
fica economicamente mais atractivo para o operador da rede (PTelecom),
porque pode transmitir mais canais, criando uma oferta comercialmente mais
atractiva e porque o custo da emissão dos seus próprios canais (versão do
MEO) é mais baixo. O principal interessado na adopção do MPEG-4 é portanto o
operador da rede e os operadores de televisão que a vão utilizar.

Se fosse permitida a difusão dos canais livres em MPEG-2 (sendo os canais a
pagar emitidos em MPEG-4), grande parte do público comprava equipamento
apenas compatível com o MPEG-2 (vulgarizado e relativamente barato), o que
se tornaria num obstáculo a uma possível futura adesão aos canais a pagar,
devido à necessidade de comprar novo equipamento. Assim para ver a TDT o
público é obrigado a comprar um equipamento mais caro, já compatível com os
canais a pagar (em MPEG-4). Mais uma vez os interesses do operador são
colocados à frente dos interesses dos espectadores.

Porque os equipamentos MPEG-4 ainda são muito caros, os operadores das redes
de TDT estão em posição privilegiada de os poderem comprar a preço mais
acessível, principalmente porque compram em grandes quantidades. Este facto
torna-se num importante incentivo à adesão do público aos canais a pagar,
porque se o preço do equipamento é alto, havendo um contrato de fidelização,
o operador poderá vender o receptor a um preço mais baixo ou aluga-lo. Isto
já sucede com o serviço MEO. O receptor MEO (sem gravador), suporta o
MPEG-4/H.264 e custa 79€. Este valor está bem abaixo do preço de mercado
(livre de operador). No entanto o preço de 79€ é válido só para quem assina
um pacote de canais (fidelização). E é bem provável que com a TDT irá
suceder algo de semelhante, o receptor será substancialmente mais barato,
mas apenas para quem aderir aos canais a pagar! E o preço do receptor também
deverá ser muito próximo do receptor já utilizado pelo serviço MEO satélite,
porque o equipamento em termos de características é muito semelhante, um tem
um sintonizador satélite, o da TDT terá um sintonizador terrestre. E também
porque não faria muito sentido oferecer dois serviços equivalentes a preços
muito díspares. Duvido que a PTelecom tenha apresentado valores muito
diferentes destes na sua proposta aos concursos da TDT. Aguarda-se com
expectativa o comunicado da PTelecom até ao final do ano, onde se espera que
esta e outras questões sejam esclarecidas.

Também o uso do MPEG-4 torna muito mais difícil, no curto e médio prazo, o
uso de equipamentos TDT portáteis "concorrentes" com os actuais e futuros
serviços a pagar de televisão móvel (via telemóvel), a disponibilizar após o
apagão analógico. Actualmente há grande oferta de televisores TDT MPEG-2
portáteis, mas nenhum MPEG-4. O MPEG-4 necessita de muito maior capacidade
de processamento para fazer a descompressão do sinal em relação ao MPEG-2.
Já é difícil conseguir uma autonomia de bateria de 2,5 horas com o MPEG-2,
com o MPEG-4 ainda mais.

É verdade que só a utilização da compressão MPEG-4 permite a difusão dos
quatro canais nacionais mais o quinto canal em alta definição num único Mux.
Mas, embora a disponibilização de um canal em alta definição na oferta de
canais livres (Mux A) seja um incentivo à adesão à TDT, este incentivo acaba
por ser neutralizado pelo alto preço associado à tecnologia utilizada
(MPEG-4) e que é pago por todos os espectadores. Maior incentivo seria
tornar obrigatória a emissão em formato panorâmico (16:9) de pelo menos os
canais de acesso livre. Não se compreende que se esteja a adoptar o sistema
de compressão mais recente (e caro) e no entanto se esteja a perpetuar o uso
do formato 4:3, ultrapassado, numa nova plataforma de distribuição.

Uma melhor opção (para o consumidor) seria a difusão dos cinco canais em
resolução standard no Mux A e a difusão do quinto canal em simultâneo, em
alta definição, e em modo aberto (porventura temporariamente) num dos outros
Mux nacionais. Desta forma só quem estivesse interessado na alta definição
teria de adquirir o equipamento adequado e suportaria o respectivo preço. É
perfeitamente possível transmitir com muito boa qualidade de imagem em
definição standard (720x576) os 5 canais em MPEG-2 num único Mux. Isto pode
ser facilmente comprovado através do visionamento de variados canais
emitidos por satélite e da análise do respectivo bitrate. A definição
standard resulta numa muito boa qualidade de imagem em ecrãs até 32
polegadas (a diagonal de LCD e plasmas mais vendida) desde que a fonte de
sinal seja boa. Se a fonte (origem do material) não é de boa qualidade, não
há bitrate nem MPEG-4 que salve a situação.

*Vantagens do MPEG-4 para o consumidor:*
+ Torna possível uma maior oferta de canais.
+ Os programas gravados ocupam menos espaço.

*Desvantagens do MPEG-4 para o consumidor:*
- Preço elevado do equipamento (principalmente os receptores).
- É incompatível com praticamente todo o equipamento em uso (TDT MPEG-2).
- A oferta de equipamento compatível ainda é muito reduzida (televisores e
receptores).
- Ainda não há equipamentos TDT portáteis compatíveis com MPEG-4.

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